entre a casa e o acaso

November 24 2015
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entre a casa e o acaso

  “Todo o ser da casa se desdobraria, fiel ao nosso ser. Empurraríamos com o mesmo gesto a porta que range, iríamos sem luz ao sótão distante. O menor dos trincos ficou em nossas mãos.”¹

(Gaston Bachelard, a poética do espaço)
 

O pitoresco da casa morada e o caos da casa urbana, amb s os lugares nos projetam como moradores do espaço dentro e do espaço fora. Na experiência de habitar não é possível falar apenas da intimidade de um quarto, ou da cozinha, ou apenas da rotina de uma intimidade guardada, mas há uma projeção de desvelamento no sujeito que o direciona a olhar para o que está do lado de fora. A casa urbana é também o lugar de afeto.

Entre um espaço  e outro. Entre a janela da sala de jantar e a porta do comércio local. Entre o
jardim e a avenida.  Entre dois artistas, duas linhas, dois pontos de memórias e traços. Entre o tempo de  Chronus  e o tempo de Kairós, os meios, as palavras, os intervalos, as vírgulas e as reticências. Estamos entre o caos e o cosmos.

De um lado, fica evidenciado o erro, o gesto sem correção e as camadas de tinta como forma de histórico do que aconteceu durante o processo de criação. Tal qual um prédio tosco ao lado de uma casa nova; ambos ganham destaque. As possibilidades geradas entre o confronto de letras empregadas pelas formas de comunicação e elementos que regem o desenvolvimento das pinturas do artista, assim como na cidade, o erro, o recorte do discurso e o confronto de ideias estão sempre presentes.
  
De outro Lado, a paisagem urbana pensada através da fotografia de objetos e utensílios de comércios da cidade, presentes emvvitrines e  prateleiras das lojas, ganham significado impar para entender uma especie de caos. Imagens que são atravessadas por um incômodo gerado por acúmulos e desordens. Essa paisagem fragmentada e caótica desperta no artista o desejo de reorganizar o espaço,
costurando uma poética de cores e leveza para compor uma novo cenário dentro da pintura.

São esses intervalos atemporais que conectam as obras de Luiz Eduardo Lemos e Gilson Rodrigues gerando esse encontro de linguagens dentro da mesma casa e possibilita apresentar ao público a exposição entre a casa e o acaso.

A casa  é o micro universo do artista e ao mesmo tempo o lugar comum para o encontro entre obra e público.

Marci Silva
Curadoria

Sobre os Artistas

Luiz Eduardo Lemos é mineiro de Belo Horizonte. Graduado no curso de Belas Artes pela escola de Belas Artes da UFMG em 2012. Dedica-se ao estudo da pintura desde 2007 e se interessa pelos desdobramentos do uso da letra como imagem e de suas possibilidades na pintura contemporânea. Realizou exposição individual “Memória estrutural na galeria Nello Nuno, FAOP em 2013 e “Sobre palavras e silêncios” no BDMG Cultural em 2013. Exposições coletivas no espaço Casa Camelo, Centro Cultural UFMG em 2012 e 2013, Arcellor Mithal, 2012 e Biblioteca da UFMG em 2011. Obra premiada “Três Palavras em Pintura”.

Gilson Rodrigues nasceu em 1987 em Contagem/MG. Graduado em licenciatura em artes visuais pela Universidade  Estadual de Minas Gerais. Bacharel em pintura pela Escola de Belas Artes da UFMG. Em seu trabalho, se interessa por desenho, pintura, objetos, design, arquitetura, jardins e livros.   Participou do programa de residência do Centro Cultural da UFMG/2014-2015 e foi recentemente premiado pela 26ª Mostra de arte da juventude Sesc/Ribeirão Preto. Selecionado para exposição individual na galeria de arte da Copasa e espaço BDMG Cultural (exposição prevista para fevereiro de 2016) além de ter participado de diversas exposições coletivas em Belo Horizonte.